sábado, 24 de novembro de 2012

Servir e proteger ou Vigiar e Punir?

A evolução é uma constante em nossa sociedade.
Às vezes de forma tão rápida que nem percebemos, outras vezes de forma lenta e gradativa. Percebemos mudanças em vários segmentos em nossa sociedade.  Nas ultimas décadas o acesso a educação, a emprego e renda, melhorou notoriamente a vida da população brasileira, principalmente aos mais pobres, os que não dispunham desses recursos sociais.
Na contramão das diversas mudanças sociais um aspecto da vida social não muda: o preconceito presente no olhar que se tem sobre a periferia.
Esta visão preconceituosa se percebe na relação entre as comunidades periféricas e as forças de segurança. A policia dentro de suas viaturas, dentro de seus coletes aprova de balas, com suas armas, sempre em prontidão. Agindo de forma arbitrária escolhe  quem deve por as mãos na cabeça, encostar-se ao murro mais próximo, ter seus bens revistados e se nada for encontrado ter que ir embora sem nenhuma explicação ou pedido de desculpas.

A população não tem o respeito da policia, e também não a respeita. É uma relação hostil. No olhares trocados entre eles se percebe o medo, a desconfiança, o despreparo de um para lidar com o outro. Não havendo confiança entre protegido e protetor como se efetivará a segurança de quem precisa?
Servir e proteger deveria ser o lema. Mas o que se pratica é Vigiar e Punir. Nesta filosofia o olhar do Estado, canalizado pelo policial é um olhar indiferente, discriminador, onipotente.
Na pratica do “vigiar e punir” todos são passiveis de vigilância e repreensão. Não havendo distinção entre cidadãos honestos e infratores da lei. Não são poucas as ocasiões onde direitos e garantias fundamentais são violados e fica por isso mesmo. Quem tenta argumentar contra o absurdo do Vigiar e Punir é constrangido, classificado como “amigo de bandido” e apadrinhador de favelado.
Esta filosofia não é boa pra nem uma das partes. A população precisa das forças de segurança para que possam ter seus direitos respeitados. A policia precisa da comunidade para que possa direcionar sua ação tornando-a mais eficiente e segura para ambas às partes.
Vigiar e punir não encerra a violência, dá impulso a este circulo vicioso. Não extingue os criminosos, torna-os mártires para a comunidade, como mais um que foi preso ou morto pela policia. Ocorrendo ainda pior, quando esta filosofia impulsiona o agir arbitrário das autoridades de repressão, que violam direitos que serão corrigidos pelos judiciário, muitas vezes libertando os praticantes de ilícitos, que voltam à comunidade e desmoralizam a policia.
Não se pode aplicar nas ruas, nas comunidades, as mesmas metodologias aplicadas em penitenciarias e presídios “Todos nesta área são criminosos, que devem ser vigiados sempre e punidos como necessário”


Nenhum comentário:

Postar um comentário

100 dias, 100 Nada.

O prefeito de Santa Izabel do Pará, Evandro Watanabe (DEM), completou recentemente cem dias à frente da administração municipal.  ...