terça-feira, 21 de maio de 2013

Sobre debates e abates....


Gosto do debate. 
Debate de idéias, 
e mesmo bem humorado, que seja sério. 
Gosto do gosto de idéias, por isso aprecio o debate. 
Não é do meu gosto o gosto dos carniceiros.
Que querem fazer do debate um abate,
Que se alimentam de sangue,
Que se alimentam de humilhação,
Que não tem nem coragem de mostrar a cara,
Usam palavras dissolutas
Falam veladamente,
como as prostitutas.

Nunca fui covarde,
Não fujo do debate.
Só escolho aqueles que valem a pena,
Com quem tem o que debater.

Gente que usa de um tema sério,
que fala através de mistério,
Querendo mostrar erudição,
pra mim nada acrescenta,
pois é movido a paixão.

Não têm foco em resolver,
só quer mesmo aparecer,
e ser o cara da situação.

Pobre menino carente,
compre um cachorro e o alimente,
Leia um livro e comente,
Tenha uma idéia e fomente,
Seja gente como tem que ser,
Lave uma roupa, 
Limpe a casa,
PROCURE O QUE FAZER.

Tráfico recruta jovens de 14 anos


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Se não arrumar R$ 2 mil em duas horas, vamos despachar seu filho”. A ligação foi clara e direta. O policial militar que apreendeu M.J., 17 anos, enquanto ele cumpria a tarefa de “aviãozinho”, iria executá-lo. A missão do jovem era levar 100 petecas de pasta base de cocaína ao destino dado por um traficante em troca de R$ 10. Desde os 15 anos ele cumpre essa missão. O primeiro empregador foi seu tio, executado por policiais no mesmo local que selaria o destino do adolescente.
M.J não é o único. O tráfico de drogas é formado por uma rede complexa que mantém em seus nós mão de obra jovem. Amparados pela menor idade penal, muitos adolescentes se envolvem no submundo perigoso do narcotráfico almejando se tornarem grandes criminosos. Para a maioria deles, no entanto, não há escolha. Viciados e ameaçados, ajudam traficantes para não pagarem pelos erros com a vida.
No dia em que M.J encarou a morte, a mãe do adolescente, no outro lado da linha, entrou em desespero. Com a vida do filho nas mãos e revivendo a morte do irmão, a mulher explicou desesperada que não tinha o dinheiro e implorou misericórdia aos policiais. A ameaça não foi cumprida e M.J foi encaminhado a uma delegacia. Lá, ele conta que foi agredido pelo delegado. O motivo foi não ter em mãos a parte da propina que caberia ao investigador. Depois do espancamento, o jovem foi encaminhado à Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data). Antes, ele prometeu que nada seria dito a respeito das ameaças e agressões.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi promulgado em 1990 e até hoje não é amplamente conhecido pela população. Em contrapartida, textos pontuais do ECA são amplamente discutidos. O Parágrafo Único do artigo 143, que trata da proibição de divulgação de imagens pela imprensa de adolescentes que cometem ato infracional é contestado. Já o artigo 121, que assegura que o adolescente não pode passar mais de três meses internado, é veementemente criticado por grande parte da população que deseja a redução da maioridade penal.
“São os artigos que tratam sobre como cuidar de adolescentes quando todo o resto do que propõe o Estatuto não funcionar, como direito à saúde, educação, proteção, etc. Porém, o conhecimento desse detalhe da Lei faz com que traficantes utilizem o ECA como escudo”,declarou Ronald Luz, educador popular. Por lutar pelos direitos e pela recuperação de adolescentes à margem da Lei, Ronald adquiriu respeito e pode circular entre os jovens nas baixadas e becos mais perigosos da Grande Belém.
Segundo o jornalista Zuenir Ventura, autor de obras como“1968: O ano que não terminou” e “1968 – O que fizemos de nós?” a forma como as drogas são encaradas, talvez, seja a pior herança que a geração anterior deixou à atual. Não exatamente pelo consumo, mas pela forma como o tráfico passou a ser combatido, numa tarefa semelhante a “enxugar gelo”, como Ventura define. De acordo com o autor, as drogas deveriam ser tratadas mais como questão de saúde pública e menos como questão de segurança pública.
“Meu irmão vendia droga em São Miguel do Guamá. E até onde eu sei, ele mal sabia de onde o bagulho vinha”, declarou V.M, que cumpre medida socioeducativa em um centro de recuperação de Ananindeua. O adolescente em questão, assim como outros dois que conversaram com o DIÁRIO, foram apreendidos por roubo. “É muito difícil um adolescente, ou até mesmo um adulto, sair pra meter o bicho sem tá chapado”, confessaram.
“Ponta” para a polícia é ganho de R$ 3 mil por semana
Nenhum dos adolescentes que declararam ter envolvimento com o tráfico de drogas admitiu pagar propina regular à Polícia Militar. Os jovens não negaram que exista a prática, mas, conforme explicaram, uma das mais árduas tarefas de quem vende entorpecentes é não ser flagrado. Refinamento, empacotamento e venda em lugares alternados são algumas das estratégias adotadas para burlar a fiscalização. Além disso, pedir para “aviões” mais novos entregarem as encomendas e evitar atividade em plantões dos mesmos policiais que já os detiveram também ajuda. O objetivo é o mesmo: evitar ser apreendido ou correr o risco de “compartilhar os lucros” do negócio com a Polícia Militar ou Civil.
“Eu fui apreendido quatro vezes. Nas primeiras três vezes eu fiz acerto, só na quarta eu não tinha dinheiro para pagar o que eles me pediram, então fui apreendido”, denunciou D.S, 17 anos, que há dois tenta crescer no mundo do tráfico. Ele teve que desembolsar, em média, R$ 400 nas primeiras vezes que foi pego. Na última, porém, D.S não teve a mesma sorte. Ele estava com todas as drogas que tinha acabado de produzir. “Me pediram R$ 800, mas, por não ter feito o material girar, não tinha de onde tirar”, explicou o jovem.
Segundo D.S, o lucro semanal de quem tem até dois pontos de venda chega “fácil” a R$ 3 mil. Em geral, o dinheiro é gasto na compra de material necessário para produzir mais entorpecentes. Farras regadas a muita cerveja e drogas também consomem boa parte do que é ganho. No entanto, D.S mostra maturidade ao falar sobre os riscos de se tornar um dependente químico. “Quem tem visão do negócio e quer crescer não consome. Quando eu vou pras festas, eu mando descer mesmo os baldes, mas não provo uma gota. Nem fumo, nem cheiro”, esclareceu.
Questionado se pretende um dia deixar de vender droga, D.S é enfático: “Nunca! O que eu quero é me aprimorar mais no negócio para não ser pego nunca mais”, enfatizou. Outro adolescente ouvido pela reportagem disse que, nas festas da periferia, os jovens que se envolvem com tráfico ou roubo possuem status diferentes. “Quando você chega numa gatinha, ela pergunta logo se você é de 157 ou é do tráfico. Se for do tráfico e mostrar que é granado, você pega é mesmo. De 157 já é mais difícil”, disse.
Fonte: Diário do Pará

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Chaplin e o Legislador.



Quem ler a biografia de Charlie Chaplin, vai se surpreender com os anos de sua infância passados em orfanatos públicos. Filho de um ator alcoólatra e de uma cantora com problemas de saúde e de instabilidade emocional, Chaplin e seu meio-irmão, por diversas vezes, tentaram com algumas artimanhas esconder, sem sucesso, das agentes do Serviço Social inglês a condição de crianças abandonadas à própria sorte.

Isso ocorreu na última década de 1800, ou seja, entre 1890 e 1900. Nessa época, o governo da Inglaterra já tinha consciência de sua responsabilidade com as crianças de famílias carentes e desintegradas. A vigilância e controle sobre a educação infantil e juvenil não se resumia à escola gratuita e obrigatória, mas também às condições estruturais da família, exigindo que o Estado investisse em políticas sociais, como, por exemplo, ajuda financeira mensal a famílias previamente cadastradas.


A diferença entre assistencialismo, paternalismo demagógico e política pública é grande. O primeiro “ameniza” mas não “cura”. É caridade, não um direito. O segundo é uma fraude. Já quando o Estado desenvolve um projeto social, ele gera transformação social que pode ser comprovada numericamente a médio prazo pela ascensão de classe, de escolaridade, de consumo e de cidadania, em resumo, pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).




Temos muitas maneiras de conviver com as gritantes diferenças sociais. Alguns podem tirar vantagem dessas diferenças e ao mesmo tempo viver reclamando delas, mas o fato é que todos, em algum momento, se tornam vítimas do descaso social.


Só quem perde a autoestima, ou nunca teve oportunidade de possuí-la, sabe bem a diferença entre assistencialismo e políticas públicas. O que dói é ver um legislador afirmar: Eu faço assistencialismo no emprego, na saúde eu deixo para o fulano (Referindo-se a outro legislador).

É preciso que o povo saiba diferenciar quem faz politica pública de quem faz assistencialismo. 
O Assistencialismo pode perdurar por muitos anos, oito anos, dois mandatos, e nada de política pública.
Desenvolver políticas públicas demanda mais de 05 meses de governo, demanda planejamento, dedicação, competência, boa vontade....nós chegaremos lá. 

Revolucionários Digitais....de dedos.



“O extraordinário desenvolvimento da ‘civilização’ só trouxe como consequência o idiota alcançar um raio de ação jamais imaginado. O mundo tem hoje, pela primeira vez, o idiota global.”
— Millôr Fernandes.


A classe média é pouco afeita as revoluções populares porque não gosta de suar a camisa, de mobilizar, não sabe compor palavras de ordens, não gosta de multidão, de sol quente (a não ser na praia). Fazer movimentos sociais para a classe média sempre foi no campo das idéias. Porém, com o surgimento do mundo virtual a classe média popularizou (entre si) a idéia de revolução prática; A classe média – que muitos dizem nem mais existe – mostra que esta viva e em rede, redes sociais. Basta um provedor, um teclado e pouca ideia na cabeça pra se ter um Revolucionário Facebookiano, um guerrilheiro do Twitter, os filósofos da Blogosfera. 
Eis o mundo que vivo, valha-nos quem?


Poema escrito a mão.

Vamos fazer revolução,
No dançar dos dedos,
Com o toque das mãos.

Vamos revolucionar, mudar, destruir,
Vamos fazer tremer as estruturas,
Vamos destruir as esculturas,
Vamos impor nossa cultura,
Do CTRL C  + CONTROL V

Se você insiste em dizer
Que tudo podemos fazer,
Que podemos tudo mudar,
Só copiar e colar.

Somos os pais da revolução,
Idéias nos dedos,
Teclados nas mãos.

Vamos expor nossas idéias,
Vamos nos mobilizar,
Curtindo e compartilhando,
Vamos o mundo mudar.

Cada um no seu teclado
Eu aqui, você acolá,
Cada um no ar refrigerado,
Mudando o mundo sem sair do lugar.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Câmara Combativa.


COMBATENDO O BOM COMBATE.

Como cidadão é uma satisfação perceber que temos uma câmara municipal combativa. Os vereadores tomaram pra si a reivindicação dos moradores pela qualidade dos serviços de transporte publico. A luta começou com as audiências publicas, passa por gabinetes e ganhou a rua no ultimo sábado. A peleja juntou oposição e base aliada. Agora a coisa vai.

PRESTAÇÃO DE CONTAS.

É cada vez mais forte o coro na câmara municipal no que tange a prestação de contas de obras da gestão passada. A bola da vez é a prestação de contas da construção da escola João Miguel em americano, que mesmo recém construída já precisa de reparos. O combate é encabeçado pelos vereadores Kennedy e Celito.

SECRETÁRIOS PRESENTES
A presença dos secretários municipais não passou em branco na ultima sessão. O trabalho do professor/doutor Mario Oscar recebeu nota dez pela totalidades dos vereadores presentes.

O QUE EU NÃO ENTENDI...
Foi a postura de um vereador que teve um arroubo emotivo quando se dirigiu ao novo secretário de Cultura, relembrando os perrengues do período de campanha - não esqueçamos que os dois eram de palanques diferentes - o tom, as palavras e a postura deixaram uma duvida no ar: será que o palanque ainda não foi desmontado?

DIGNO DE NOTA
O discurso sempre bem humorado e coerente do vereador Zé Rosa, o companheiro; Que sabe falar a língua do povo e fala com propriedade de quem conjuga prática politica com ação social.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

TRAMAI E TREMEI


Acredito em um novo tempo, numa forma de governo, em um modelo de gestão que privilegie a ética, a eficiência e a atenção ao povo, principalmente aos mais humildes, o que mais precisão do bom senso e da atenção dos governantes.

Acredito que é chegada a hora de nos livrarmos desta herança maldita que recebemos, e mostrarmos que é apenas uma herança de incompetentes, que ela não esta em nosso DNA, que não é uma herança genética, portanto não vai se perpetuar.

Somos filhos de um povo guerreiro que fundou esta cidade do nada e que construiu entre rios e florestas o que hoje é nosso lar.

E alicerçados nesta herança histórica - que muito nos orgulha - devemos unir nossas forças e mostrar o genuíno sangue izabelense, sangue de desbravadores, de construtores, de sonhadores sim, mas com respeito a civilidade e capaz de planejar, articular, construir com eficiência os nossos sonhos neste chão.

Muitos há que torcem pelo fracasso, muitos que desejavam o continuísmo da inoperância, da falta de respeito, da hipocrisia, da corrupção.

Eles continuam por ai, tramando tenebrosamente e tremendo de medo que tenhamos sucesso. Tramai se é isso que sabeis fazer de melhor, porém, tremei, pois estamos fazendo de nossa luta diária o  possível e o impossível para que seus anseios nocivos não se concretize e a vontade de nossa gente prevaleça.

Você pode até dizer que sou louco, cego, partidário, mas não deixo de acreditar, não deixo de apostar, não deixo de trabalhar por um novo tempo que esta sendo semeado, onde o povo semeia e colherá os frutos de uma nova cidade, de um novo tempo, de um novo modelo.

É um direito seu torcer contra, de não se juntar, de ficar de fora, mas que chance excelente você perde de aprender, de fazer historia, de construir.

O novo sempre vem, quer você goste, queira ou apoie. E nós somos o novo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Imparcial...Eu?






Não sou imparcial, porém não sou irracional. 
Eu não vou mudar mas minha vida agora é outra
Eu vou tentar entender o que sai da tua boca
É só por isso, vivo por isso, vivo por isso e sem isso eu não vivo
Se você quiser entender, então me deixa te explicar,(...)
Tem pra mandar trazer, tem, tem pra mandar buscar, vai!
Tem pra mostrar poder, tem, tem pra te alucinar
Eu não fico dividido, eu sei porque tomo partido
                                             
    Quebra-Mar ( Charlie Brown Jr.)


 A pior coisa que existe é a imparcialidade. Quem fica em cima do muro não tem coragem de assumir a si mesmo. Eu apoiei o projeto, a campanha e continuo aprovando o governo.
 
Este é um dos mitos cultivados na era digital: blogueiro é imparcial. Ou tem obrigação de ser.
 
Ninguém é imparcial. Porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante. E ao fazer toma partido. Quando destaco mais uma postagem do que outra faço uma escolha. Tomo partido. Quando opino a respeito de qualquer coisa tomo partido. 

Cobre-se do blogueiro honestidade. Não posso inventar nada. Não posso mentir. Não posso manipular fatos. Mas posso errar - como qualquer um pode. E quando erro devo admitir o erro e me desculpar por ele.

Não posso omitir informações ou subvertê-las para servir aos meus interesses ou a interesses alheios. Mas isso não me impede de tomar partido, de me posicionar.

Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões.

Se comento uma notícia ou analiso um fato politico de nossa cidade seja do poder legislativo ou executivo, ofereço minhas próprias conclusões, não sou porta voz, sou membro e defensor do governo. 
 
Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Escopas e a sabedoria de receber críticas




Escopas era um poderoso rei da Tessália que não admitia e ninguém era audaz para contestar seu poder. Riquezas chegavam às suas mãos e reinos vizinhos quase sempre vinham lhe trazer honrarias em presentes. Ainda assim, Escopas não se sentia completo, suficiente e absolutamente feliz. "O que lhe falta ainda?" - perguntavam-lhe, mas ele não sabia responder.

Certo dia Escopas escutou a música e os poemas de Simônides, o príncipe dos poetas de toda a Grécia. Escopas compreendeu tudo e alegremente mandou chamar o poeta. Ao vê-lo, o rei ordenou que ele fizesse um poema celebrando em versos inesquecíveis as suas gloriosas façanhas, que fosse tão extraordinário que haveria de ser cantado e repetido pelas gerações através dos tempos.

Simônides entendeu que para exaltar o rei em versos teria de fazer uma peregrinação desde os feitos gloriosos dos seus ancestrais, fazendo comparações que elevariam o mérito do homenageado ao erguer as suas virtudes. Tentando elaborar os primeiros versos da imensa Epopéia, Simônides não encontrava algo do qual o rei poderia vangloriar-se, apenas crimes e barbaridades marcavam o rei e também seus antepassados.

Ambição, inveja, ciúmes, assassinatos, estupros e ações cruéis eram os temas encontrados, mas nenhum feito justo, humano e glorioso, por menor que fosse, havia para ser narrado. Mas o talento superior do poeta conseguiu transformar com beleza aquelas atrocidades selvagens. No dia da primeira audição de seu poema, reuniram-se o rei e toda sua corte. E assim começou Simônides:

- " Escopas, poderoso rei da Tessália, temido e amado pelos súditos e pelos reis de toda a Grécia, aqui está o produto do meu suado labor, que não tem outro fim senão o de contar em versos perfeitos a trama sublime que as Moiras divinas teceram para compor o tapete glorioso de vossa vida ".

Dando início à sua maravilhosa epopéia, todos os circunstantes bebiam suas palavras como quem sorve um saboroso vinho até que o poeta entrou numa vereda do seu poema. Em uma longa divagação, Simônides exaltava as virtudes guerreiras e honradas dos irmãos Castor e Pólux, mas que na verdade pouco tinham a ver com as do homenageado. As excessivas divagações atingiram a vaidade do rei que não se sentiu feliz com as comparações. Sentado à mesa do banquete entre seus cortesões e aduladores, Escopas resmungava insatisfeito com o relato das proezas dos filhos gêmeos de Leda e Zeus sem nenhuma menção aos seus feitos.

Entregue à longa recitação, Simônides continuava a exaltar os feitos dos gêmeos até que finalmente encerrou sua brilhante epopéia. Aplausos entusiásticos evocaram por todo o salão, mas se tornara evidente a todos que o poeta havia glorificado e exaltado Castor e Polux porque não encontrara o que exaltar em Escopas, um modo sutíl que o poeta encontrou para mostrar isso ao rei.

Chegada a hora do rei pagar a quantia prometida, reverentemente do trono o rei abriu um baú de riquezas, mas para supresa de Simônides o rei entregou-lhe apenas metade ficando com a outra metade, dizendo que pagaria apenas a metade já que o poeta havia exaltado tanto os gêmeos, caberia a eles pagar o restante. Humilhado com as gargalhadas de deboche que se seguiram, Simônides retornou ao seu lugar mas um lacaio anunciou que havia dois homens fora do palácio procurando por Simônides.

Simônides saiu para os jardins mas não encontrou ninguém à sua espera, senão um saco cheio de moedas. Porém quando retornava para o palácio escutou um terrível ruído e diante de seus olhos viu a cúpula do palácio ruir sobre o salão de banquetes. Sepultados sob pilhas de escombros jaziam os corpos de todos os convidados que há pouco o haviam ridicularizado. Entre eles, estava o rei com seu corpo dilacerado em meios aos destroços, com seu baú vazio e entre seus dentes havia uma moeda: o óbulo dos mortos. Posteriormente Simônides não teve dúvida de que Castor e Polux teriam vindo pagar a sua parte.

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O mito de Escopas nos remete à sabedoria de criticar e de receber críticas. Todos nós somos programados para defender nosso ego a qualquer custo e é natural surgir o desejo de reagir defensivamente quando ouvimos uma crítica, embora possamos conter-nos apenas ouvindo. É preciso aprender a ouvir uma crítica, mas isso é uma habilidade que se adquire com o treino e compreensão.

Qualquer crítica deve ter um tempo de processamento, para refletir se existe verdade no que nos é dito e se existe algo que possamos aprender com a crítica. Temos o livre arbítrio para escolher o que fazer com as informações recebidas. Muitas vezes é importante escutar, perguntar e compreender como os outros formam opinião a nosso respeito ou nossas atitudes. Para isso é preciso acalmar as defesas, tranquilizar-nos e reafirmar a segurança que temos em nós mesmos.

As palavras dos outros não tem nenhum poder sobre nós, são apenas palavras. Uma crítica não precisa ser necessariamente rebatida, a menos que concordemos com ela e estejamos tentando negá-la. Afastar-nos das reações emocionais que nos levam a rebater ou negar as críticas, é o melhor meio de enfrentá-las. É preciso um tempo para pensarmos no assunto.

Sempre podemos aprender com uma crítica, em vários níveis. Todas as pessoas cometem erros e nós também. Perceber que algo poderia ter sido feito melhor, nos torna mais competentes. Se alguém aponta um erro que cometemos sem perceber, a atitude mais coerente seria agradecermos pela oportunidade de melhorar. Não há motivos para reagirmos ou nos sentirmos ofendidos. Agir com maturidade e serenidade, é uma decisão que nos torna melhores e confiantes.

Se uma crítica não se aplica a nós ou não há verdade no que está sendo dito, a atitude mais coerente é desconsiderar. Também não há motivos para nos ofendermos com o que não se aplica a nós. Muitas vezes as pessoas podem enxergar em nós algo que na verdade pertence a ela mesma ou tentar jogar sobre nós algo que sente em relação a outra pessoa. É a entrega da mensagem no endereço errado e, nesse caso, devemos apenar devolver a encomenda, não há necessidade de se alterar ou agredir a pessoa.

Uma reação exagerada a uma crítica que se julga infundada, pode ser um sinal de que não é tão infundada assim. É preciso pensarmos: se algo nos incomoda é porque concordamos. Qual seria nossa reação se alguém falasse que somos irresponsáveis porque não evitamos um temporal que inundou a cidade. Provavelmente iríamos considerar como uma anedota e seguiríamos tranquilamente nosso dia. Da mesma forma deve ser encarada uma crítica que não nos diz respeito, podemos apenas rir da insensatez de quem a pronuncia.

Mas há o outro lado da moeda. Quando pensamos em dizer algo a alguém, devemos prestar atenção às nossas papilas. Se sentimos um gosto amargo na boca, é sinal de que ainda não estamos prontos para exteriorizar uma crítica, porque criticar não é envenenar o mundo. Quando estamos tomados pela emoção, a crítica se torna nociva.

Uma crítica construtiva deve ter o ensejo generoso de ajudar alguém, trazendo à consciência algo que o outro não percebe. Porém quando há o desejo secreto de fazer os outros se sentirem mal ou de expo-los ao ridículo, a crítica se torna envolta no prazer de mostrar superioridade apontando o erro alheio. É a crítica maldosa que destrói.

A crítica saudável é aquela que brota da sabedoria pacífica da mente e vem envolta na suavidade do coração. Por isso, antes de dizer algo para alguém, devemos observar de onde vem as palavras. Quando as palavras estão envoltas em paixões e emoções, elas são insensatas e precisam se acalmar antes de serem ditas.

A crítica construtiva é calma, pacífica e amorosa, fundamentada em argumentos racionais, isenta do fogo das emoções e brotam do desejo genuíno de ajudar e fazer um bem pelo outro. Toda crítica deve ter uma forma apropriada de ser colocada e no momento mais apropriado, preferencialmente longe dos ouvidos alheios. As palavras são como folhas ao vento; uma vez soltas é impossível retê-las...

100 dias, 100 Nada.

O prefeito de Santa Izabel do Pará, Evandro Watanabe (DEM), completou recentemente cem dias à frente da administração municipal.  ...