Círio no exílio

O círio de Santa Izabel sempre remonta ao passado. Tenho muitas lembranças boas. Desde as disputas de pipas, as vendas que eu fiz quando menino e até quando eu trabalhava em um jornal mensal de nossa cidade, creio que chamava-se o Popular. A única edição com capa colorida era a que saía no dia do círio. A imagem colorida vendia bastante jornal e os devotos levavam uma imagem pra casa.
Foi em um círio que re-encontrei aquela que seria minha companheira por longos anos, mãe dos meus tesouros. Que por coincidência fez aniversário ontem, junto com o círio. Ainda lembro bem do reencontro.
E creio que esse é o grande momento do círio: um reencontro de amigos, de irmãos, um reencontro com a fé vacilante, esquecida, uma renovação dos votos.
O círio é um ato público de reencontro. Reencontro com dia marcado.
Renovação da esperança, das possibilidades, dos sonhos.
Não sou católico, mas hoje no exílio, senti falta deste reencontro.

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