quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sobre lobos em pele de cordeiros.....e traidores natos.


Primeira: Um sapo e um escorpião se encontraram às margens de um rio profundo. Ambos precisavam atravessá-lo, mas só o sapo sabia nadar. O escorpião se aproximou dele, e com aquela falsidade dos maus, e pediu carona nas costas para atravessar o rio. 
O sapo relutou dizendo: “Não sou doido, se o carregar nas costas, você vai me dar uma picada e eu ficaria paralisado e morreria”. 
O escorpião, com fingimento, ponderou: “E eu é que seria doido se fizesse isso porque também morreria porque não sei nadar”
O sapo, ingênuo, pensou e admitiu que o escorpião tinha razão, era lógico o que ele estava afirmando. Então deixou que ele subisse nas suas costas e começaram a travessia do rio. 
No meio dessa travessia, o escorpião, poke!, deu uma picada no sapo. Este, surpreso com a traição, ainda não paralisado mas já sentindo o efeito da picada, perguntou indignado:
 “Por que você fez isso se sabe que também vai morrer?”
O escorpião respondeu com aquela frieza dos maus: “Fiz isso porque sou um escorpião e isso faz parte da minha natureza”. 

Tem sapo que ainda não aprendeu a lição e continua carregando o escorpião nas costas. O medo se faz constante durante toda a travessia quando bastaria apenas não dar a carona e deixar o escorpião vendo-o nadar. O problema maior é que os escorpiões melhoraram suas estratégias e a picada agora só é dada quando finaliza a travessia e após carrega-lo nas costas o sapo morre e o escorpião atinge seu objetivo.

Segunda historinha: Uma serpente estava morrendo no meio da mata. Nisso passou um camponês e se apiedou dela, ajudou-a, tratou-a, e a serpente sobreviveu. Quando se sentiu com forças, poke!, deu um bote e picou o camponês.

 Este na agonia final, perguntou: Por que você fez isso, se eu lhe salvei a vida?”. 
A serpente respondeu com sua maldade inata: “Porque sou uma serpente e não tenho nem sensibilidade e nem gratidão. Faz parte da minha natureza picar os outros”. 

Estas histórias são ficção. Mas vamos a História.
É claro que essas historinhas são ficção. Mas foram criadas para advertir as pessoas sobre a maldade dos que por natureza são maus, ingratos e traidores.
Sobre traição humana, há uma história verídica que é sempre lembrada quando se quer advertir sobre a maldade inata da traição. Refiro-me à traição de Brutos a Júlio César
O César era pai adotivo de Brutus, tinha-o como seu filho mais querido, fez dele tudo em Roma, era um dos poderosos do governo. Mas Brutus não prestava, era mau, queria mais poder, e, como todos os ingratos, odiava seu benfeitor. 
E mesmo sabendo que poderia ser castigado e punido se traísse o César aderiu a um complô para assassiná-lo no Senado. Ele e vários senadores, inclusive Cássio e Casca, que eram também elementos da confiança do César. 
Sabedor que corria perigo, mas homem muito corajoso, César foi ao senado. Confiou nos amigos que tinha nesse senado. Mas quando lá chegou alguns senadores começaram a apunhalá-lo com adagas e punhais. O César se esvaindo em sangue vê Brutus, olha nos seus olhos como se pedisse ajuda. Brutus o abraça mas, poke!, lhe enfia o punhal, aí o César, antes de expirar, já nos estertores finais, sentindo mais a dor da tração do filho querido do que a dor das punhaladas, pronunciou a frase que ainda hoje é o mais veemente libelo contra os traidores: “Até tu, Brutus, meu filho?!!!”. 

Sobre os ingratos inatos, esses escorpiões e serpentes que picam e traem seus benfeitores, há uma crônica de Potiguar Matos, intitulada: O Ingrato. Ela disseca esses vermes. Vou transcrever um trecho: “A ingratidão feriu Cristo numa passagem famosa. Curou dez leprosos, só um voltou para agradecer. O ingrato não agradece. Trai. A recepção do benefício gera nele um estranho ódio ao benfeitor. Sua pequenez interior se dói do benefício recebido. Alguém soprou o balão e ei-lo inflado, dançando no ar, pobre balão pensando que tem asas. Cessado o sopro, o balão se enruga, murcha, rodopia, cai. Não era nada, apenas ilusão, papel pintado, marmota colorida cheia de vento. Será a contingência disso que fataliza o gesto de ódio e traição?”.
Existem inúmeros casos de traição históricos e no dia a dia são incontáveis. Agora mesmo, no instante em que você, leitor, lê esta minha arenga, uma maldade está sendo engendrada, uma ingratidão está sendo preparada, uma traição está sendo engatilhada e vai ser detonada pelos seres cuja natureza é ser mau, ser ingrato e ser traidor. E esse tipo de serpente sempre se volta, ainda com mais maldade, contra os seus benfeitores

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