quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Doação de campanha.

Dois cidadãos izabelenses conversavam sobre o que acompanharam na prestação de contas dos nossos candidatos em 2012.
 - Mas camarada, fiquei abismado com os valores que foram declarados pelos candidatos. Os candidatos gastaram pouco, pelo menos o que foi declarado, e as contas de receitas e despesas estão perfeitas. Batento tudo direitinho.
- O que foi? Perguntou um deles.
- Você sabia que com toda a estrutura que foi montada os candidatos não gastaram mais de cem mil reais?
- Verdade?? Nossa os caras são bom de conta mesmo.
- Outra coisa que me chamou atenção - comentou um terceiro que ainda não tinha entrado na conversa - foi que teve um professor que doou mais de seis mil reais enquanto o prefeito doou apenas mil e seiscentos para o seu candidato a sucessor.
- Que coisa, hein? Professor ganha bem então. Concluiu o primeiro.
- E a confiança do prefeito no seu sucessor vale quatro vezes menos que a do professor? perguntou o segundo.
- Vou embora, amigos, to com a lista de supermercado aqui, e não pode faltar nada se não a patroa me mata. Despediu-se o terceiro.
- Se precisar de ajuda peca para um dos assessores dos homens. Eles são bom de conta. Ironizou um dos ficantes.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Frutos da periferia


Crescer no morro horizontal faz a molecada amadurecer muito rápido. Meninas tornam-se mães muito cedo. Meninos são obrigados a virarem homens`` da noite pro dia.
Esses conceitos e preconceitos são imputados sem piedade. A vida começa dura desde muito cedo e a reação também. 

Encontrei um ex-aluno meu baleado após um assalto frustrado:
- Ei, o que aconteceu contigo? - questionei.
- Uma correria que não deu certo professor - respondeu.
- Lamento muito por sua perna, vão ficar boa 100%?
- Acho que não, professor - lamentou o jovem e concluiu - Vou tomar cuidado da próxima vez.
- Beleza. Te cuida.

Muitos vão achar que eu deveria dar conselhos para que ele abandonasse aquela vida, que arranjasse um emprego, que não tivesse uma próxima vez.
Seriam palavras vazias. Aquele garoto cresceu como eu, no meio do abandono social. Seus pais lutam para sobreviver, são pessoas honestas, tementes a deus porem escravizadas por um sistema social que os obriga a sobreviver com um salário mínimo e com as mínimas condições para mudar de vida. A escola não educa, os exemplos não motivam, a esperança vira desespero perante uma mesa vazia, a ambição aos bens mostrados na televisão gera revolta, estimulam a violência.
As Bebidas e as drogas são anestésicos e estimulantes.
Crescem sem aprender a valorizar a vida alheia, pois aprenderam que suas próprias vidas não tem valor.

A periferia também e vitima de uma violência.
E se você se choca vendo pela televisão os horrores desta guerra urbana...lamento...aqui nos vivemos diariamente.

``Então, como eu tava dizendo, sangue bom, isso não é sermão, ouve aí tenho o dom
Eu sei como é que é, é foda parceiro, eh, a maldade na cabeça o dia inteiro nada de roupa, nada de carro, sem emprego, não tem ibope, não tem rolê, sem dinheiro
Sendo assim, sem chance, sem mulher, você sabe muito bem o que ela quer (eh....). encontre uma de caráter se você puder,
É embaçado ou não é?
Ninguém é mais que ninguém, absolutamente, aqui quem fala é mais um
sobrevivente``

Formula Magica da Paz.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Crendo na própria mentira.


Primeiro eles se auto-proclamaram os defensores e únicos representantes da ética na politica.
E depois de toda uma metamorfose que foi desde vestir uns ternos Armani  aparar a barba e as ideias mais radicais ate mesmo a fazer pactos políticos com velhas raposas e fichas sujas em geral.

Uma vez no poder eles passaram a desrespeitar a Republica, sua divisão do poder, seu equilíbrio de forcas. Instituíram uma quadrilha para conseguir o que queriam, a qualquer custo, ou melhor, a qualquer mala ou cueca, desde que recheados de notas altas.

Para esconder seus atos insanos e ilicitos tentaram amordacar a imprensa. Posicionaram-se como vitimas de perseguicao por parte da midia taxada de ``Capitalista e elitista``.

A republica se enfraqueceu deveras, cambaleou, mas nao caiu. 

Recuperando suas forcas e poder a Republica investigou, julgou e condenou os quadrilheiros, os corruptores da republica. 

Eles agora pousam de mocinhos na historia. Dizem-se perseguidos. Punidos injustamente. Fazem atos de desagravo ao STF que usando de prerrogativas legais os condenou apos julgamento justo.

A imprensao que fica: 
- Estarão estes senhores em um delírio politico de acreditarem-se acima das leis?
- Estarão estes senhores em tao avançado estagio de hipocrisia politica que são capazes de acreditar na própria mentira?

E o que mais me assusta ë ver a juventude lotando auditórios para ver condenados por praticas politicas ilícitas pousando de mocinhos.

sábado, 24 de novembro de 2012

Viajar dói

Viajar dói

Dói ver o meu povo
Lutando com a morte
Perdendo lentamente
Dia a dia
Tanta riqueza acumulada
Tanta miséria mal distribuída
Todo esse minério
Criando monstros de metais
Sem coração
Com fome de terra
Trazendo fome a terra.
Homens maltrapilhos
Natureza maltratada.

Julho/04 (1ª viagem ao sul do Pará)

Servir e proteger ou Vigiar e Punir?

A evolução é uma constante em nossa sociedade.
Às vezes de forma tão rápida que nem percebemos, outras vezes de forma lenta e gradativa. Percebemos mudanças em vários segmentos em nossa sociedade.  Nas ultimas décadas o acesso a educação, a emprego e renda, melhorou notoriamente a vida da população brasileira, principalmente aos mais pobres, os que não dispunham desses recursos sociais.
Na contramão das diversas mudanças sociais um aspecto da vida social não muda: o preconceito presente no olhar que se tem sobre a periferia.
Esta visão preconceituosa se percebe na relação entre as comunidades periféricas e as forças de segurança. A policia dentro de suas viaturas, dentro de seus coletes aprova de balas, com suas armas, sempre em prontidão. Agindo de forma arbitrária escolhe  quem deve por as mãos na cabeça, encostar-se ao murro mais próximo, ter seus bens revistados e se nada for encontrado ter que ir embora sem nenhuma explicação ou pedido de desculpas.

A população não tem o respeito da policia, e também não a respeita. É uma relação hostil. No olhares trocados entre eles se percebe o medo, a desconfiança, o despreparo de um para lidar com o outro. Não havendo confiança entre protegido e protetor como se efetivará a segurança de quem precisa?
Servir e proteger deveria ser o lema. Mas o que se pratica é Vigiar e Punir. Nesta filosofia o olhar do Estado, canalizado pelo policial é um olhar indiferente, discriminador, onipotente.
Na pratica do “vigiar e punir” todos são passiveis de vigilância e repreensão. Não havendo distinção entre cidadãos honestos e infratores da lei. Não são poucas as ocasiões onde direitos e garantias fundamentais são violados e fica por isso mesmo. Quem tenta argumentar contra o absurdo do Vigiar e Punir é constrangido, classificado como “amigo de bandido” e apadrinhador de favelado.
Esta filosofia não é boa pra nem uma das partes. A população precisa das forças de segurança para que possam ter seus direitos respeitados. A policia precisa da comunidade para que possa direcionar sua ação tornando-a mais eficiente e segura para ambas às partes.
Vigiar e punir não encerra a violência, dá impulso a este circulo vicioso. Não extingue os criminosos, torna-os mártires para a comunidade, como mais um que foi preso ou morto pela policia. Ocorrendo ainda pior, quando esta filosofia impulsiona o agir arbitrário das autoridades de repressão, que violam direitos que serão corrigidos pelos judiciário, muitas vezes libertando os praticantes de ilícitos, que voltam à comunidade e desmoralizam a policia.
Não se pode aplicar nas ruas, nas comunidades, as mesmas metodologias aplicadas em penitenciarias e presídios “Todos nesta área são criminosos, que devem ser vigiados sempre e punidos como necessário”


O homem que tece a rede.

A idéia que impera no mundo globalizado é de que estamos todos ligados numa rede internacional que forma a chamada aldeia global.

Os homens não estão mais isolados. A comunicação é em tempo real.

A rede está em toda parte. O mundo virtual nos enreda nesta rede que ninguém sabe quem teceu.

Mas enquanto o mundo fala em internet, globalização, rede mundial de computadores, comércio e relacionamento, sem querer eu encontrei um homem que tece uma rede completamente indiferente a esse mundo sem fronteiras que tanto se fala.

Ele apenas senta na sombra de uma arvore, que fica na calçada da sua casa e tece sua rede. Rede de pesca. Rede que enlaça, que alimenta, que sustenta.

Numa cidade conhecida mundialmente por seu minério elemento chave para alimentar os fornos que aquecem o mundo, conhecida também por ser a capital nacional dos hackeres, este homem aparentemente não esta nem ai para chips, computadores e complementares.

Ele apenas tece a sua rede. Talvez por distração, por terapia ocupacional. Não importa ele apenas tece sua rede. Parece uma afronta a nosso mundo global. Ele é indiferente a nossa sede de orkut, facebook, twitter, msn e mercado livre. Ele está ali, tecendo sua rede. Vendo as pessoas passarem como formigas em busca de folhas.

Não o vejo como um alienado, prefiro vê-lo como um sábio. Um Diogenes atual que não liga para os Alexandres que passam. A sabedoria dos que já viram muita coisa, que já viveram experiências sólidas. Que talvez já tenha percebido que o mundo vive nesse eterno retorno, sem um fim definido.

E o que hoje é ultrapassado já foi novidade um dia, o mesmo que acontecera no futuro com as novidades de hoje. E se tiver tempo, talvez o homem que tece a rede, possa dizer ainda tecendo sua rede “Eu já vi esse filme antes”.

Nota: Este texto foi escrito originalmente no ano de 2006 quando eu morava na cidade de Parauapebas. O homem que tecia a rede era meu vizinho.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ex-vereadores em busca de Emprego..

Encontrei por acaso com dois vereadores, ainda vereadores, que não conseguiram reelegerem-se e conversa vai conversa vem, toquei no assunto que não poderia faltar: Quais as causas dos mesmos não se reelegerem-se? vou enumerar algumas:
a) Muitos candidatos. Inclusive amigos, amigos dos amigos e demais amigos.
b) A coligação da qual eu fiz parte não fortaleceu-se.
c) Faltou apoio do nosso candidato majoritário.
d) Os outros candidatos estavam muito fortes financeiramente.
e) Bla bla bla bla...bla bla.

Nao desisti de provocar:
 - Mas sera que nao faltou trabalho para que o povo visse a importância de vocês voltarem?
 - Claro que não  Trabalhamos tanto quanto ou ate mais do que os que se reelegeram. Retrucou um vereador.
- Tudo bem então. Se esse foi o critério utilizado, o povo foi injusto com vocês - Ironizei.
- Eu não duvido de nada - respondeu o segundo - que ate então estava calado.

Considerando os vereadores que se reelegeram eu também não duvido de nada.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Polícia que mata não assegura paz nem tranquilidade


                                                                                                                                Por Marcelo Semer*
Oroteiro é conhecido. 
A periferia já convivia faz tempo com a alta letalidade da Polícia Militar de São Paulo. Cerca de um quinto dos homicídios do Estado são praticados por PMs. Índices bem superiores àqueles que envolvem, por exemplo, os Estados Unidos.
Tudo o que o Estado não pode fazer é agir como uma facção criminosa.
Nada justifica, nem mesmo a ideologia de uma suposta linha-dura para combater o crime.
Quando o Estado cruza a linha que distingue o legal do ilícito, já não se diferencia dos criminosos que pretende combater.
Nunca é demais lembrar que o homicídio da juíza Patrícia Acioly, que comoveu o país, e especialmente aqueles que se utilizam do incremento da violência como discurso político, teria sido provocado pela firmeza da magistrada em rejeitar simulações de autos de resistência.
Aqueles mesmos, por meio dos quais, homicídios de policiais estavam sendo fraudulentamente transformados em exercícios regulares de direito.
Ao revés do que se supõe, a violência estatal não traz eficácia nem sossego.
Quando a polícia é capaz de matar e de mentir, quem nos dará a tranquilidade?
Dezenas de juristas estão percorrendo o país nos últimos meses para discutir a edição de um novo Código Penal. Mas que relevância terá o trabalho se concedermos a alguns agentes, por aval superior ou omissão de quem tem fiscaliza, o poder de processar, julgar e executar a lei penal em qualquer viela, quando o sol se põe?
A violência do Estado não é o oposto da leniência com o crime –é exatamente seu combustível.
Estimular que pela vingança, ideologia ou por um motivo qualquer de faxina ética ou social, policiais cruzem a fronteira da legalidade, não turbina apenas a espiral da violência; também catapulta agentes para o mundo do crime. Afinal, aonde se meterão policiais responsabilizados por mortes ou aqueles que se acostumarem com o ofício?
A adesão de ex-matadores e ex-torturadores sustentados pelo regime militar à ilegalidade vitaminou o crime organizado com o fim da ditadura.
A convivência de policiais com os trâmites do justiçamento não há de produzir resultado menos danoso. As milícias cariocas talvez sejam o melhor exemplo dos perigos dessa promiscuidade.
Nenhum criminoso merece a impunidade, nem mesmo como atributo de sua maior temeridade.
O “crescimento da violência” pode nos revelar, talvez, o equívoco de termos estancado o processo de desarmamento –mas não fazer com que as armas trabalhem indiscriminadamente mais.
A morte jamais pode ser a regra ou a praxe de uma polícia.
Esse não é apenas o preço da democracia. É também o preço da tranquilidade.
Porque de uma polícia que mata, nem a polícia pode nos proteger.

É juiz de direito em SP e escritor. Ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia. Autor do romance Certas Canções (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.


OPINIÃO: Quando li este artigo nao pude deixar de notar a aplicabilidade do mesmo no que diz a relacao entre a policia paraense e a paulista. Temos em nosso território papa-chibé uma Delegado que é visto como herói nao apenas pelas diversas prisoes que realiza, mas acima de tudo pelas mortes que ocorrem quando ele se confronta com bandidos. O uso da força é uma prerrogativa do estado, o que me assusta é quando passamos a acreditar que bandido bom é bandido morto.
Não acreditamos em nosso sistema de justiça que deve julgar e condenar quando for o caso?

Tempos sombrios, Tempos petistas...


MARCO ANTONIO VILLA - HISTORIADOR; É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR) - O Estado de S.Paulo

Luiz Inácio Lula da Silva está calado. O que é bom, muito bom. Não mais repetiu que o mensalão foi uma farsa. Também, pudera, após mais de três meses de julgamento público, transmitido pela televisão, com ampla cobertura da imprensa, mais de 50 mil páginas do processo armazenadas em 225 volumes e a condenação de 25 réus, continuar negando a existência da "sofisticada organização criminosa", de acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seria o caso de examinar o ex-presidente. Mesmo com a condenação dos seus companheiros - um deles, o seu braço direito no governo, José Dirceu, o "capitão do time", como dizia -, aparenta certa tranquilidade.
Como disse o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula é "um sujeito safo". É esperto, sagaz. Conseguiu manter o mandato, em 2005, quando em qualquer país politicamente sério um processo de impeachment deveria ter sido aberto. Foi uma manobra de mestre. Mas nada supera ter passado ao largo da Ação Penal 470, feito digno de um Pedro Malasartes do século 21.
Mas se o silêncio público (momentâneo?) de Lula é sempre bem visto, o mesmo não pode ser dito das articulações que promove nos bastidores. Uma delas foi o conselho para que Dilma Rousseff não comparecesse à posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF. Ainda bem que o bom senso vigorou e ela vai ao ato, pois é presidente da República, e não somente dos petistas. O artífice de diversas derrotas petistas na última eleição (Recife, Belo Horizonte e Campinas são apenas alguns exemplos) continua pressionando a presidente pela nomeação de um "ministro companheiro" na vaga aberta pela aposentadoria de Carlos Ayres Brito. E deve, neste caso, ser obedecido.
O ex-presidente quer se vingar do resultado do julgamento do mensalão. Nunca aceitou os limites constitucionais. Considera-se vítima, por incrível que pareça, de uma conspiração organizada por seus adversários. Acha que tribunal é partido político. Declarou recentemente que as urnas teriam inocentado os quadrilheiros. Como se urna fosse toga. Nesse papel tem apoio entusiástico do quarteto petista condenado por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Eles continuam escrevendo, dando entrevistas, participando de festas e eventos públicos, como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, como se tivessem sido absolvidos.
O que os petistas chamam de resistência não passa de um movimento orquestrado de escárnio da Justiça. José Dirceu, considerado o chefe da quadrilha por Roberto Gurgel, tem o desplante de querer polemizar com o ministro Joaquim Barbosa, criticando seu trabalho. Como se ele e Barbosa estivessem no mesmo patamar: um não fosse condenado por corrupção ativa (nove vezes) e formação de quadrilha e o outro, o relator do processo e que vai assumir a presidência da Suprema Corte. Pior é que a imprensa cede espaço ao condenado como se ele - vejam a inversão de valores da nossa pobre República - fosse uma espécie de reserva moral da Nação. Chegou até a propor o financiamento público de campanha. Mas os petistas já não o tinham adotado?
Outro condenado, João Paulo Cunha, foi recebido com abraços, tapinhas nas costas e declarações de solidariedade pelos colegas na Câmara dos Deputados. Já José Genoino pretende assumir a cadeira de deputado assim que abrir a vaga. E como o que é ruim pode piorar, Marco Maia, presidente da Câmara, afirmou que a perda de mandato dos dois condenados é assunto que deve ser resolvido pela Casa, novamente desprezando a Constituição.
O julgamento do mensalão desnudou o Partido dos Trabalhadores (PT). Sua liderança assaltou o Estado sem pudor. Como propriedade do partido. Sem nenhum subterfúgio. Os petistas poderiam ter feito uma autocrítica diante do resultado do julgamento. Ledo engano. Nada aprenderam, como se fossem os novos Bourbons. Depois de semanas e semanas com o País ouvindo como seus dirigentes se utilizaram dos recursos públicos para fins partidários, na semana que passou Dilma (antes havia se reunido com o criador por três horas) recebeu no Palácio da Alvorada, residência oficial, para um lauto jantar, líderes do PT e do PMDB. A finalidade da reunião era um assunto de Estado? Não. Interessava apenas aos dois partidos. Fizeram uma analise das eleições municipais e traçaram planos para 2014. Ninguém, em sã consciência, é contrário a uma reunião desse tipo. O problema é que foi num prédio público e paga com dinheiro público. Imagine o leitor se tal fato ocorresse nos EUA ou na Europa. Seria um escândalo. Mas na terra descoberta por Cabral, cujas naus, logo vão dizer, tinham a estrela do PT nas velas, tudo pode. E quem protesta não passa de golpista.
Nesta República em frangalhos, resta esperar o resultado final do julgamento do mensalão. As penas devem ser exemplares. É o que o STF está sinalizando na dosimetria do núcleo publicitário. Mas a Corte sabe que não será tarefa nada fácil. O PT já está falando em controle social da mídia, nova denominação da "censura companheira". Não satisfeito, defende também o controle - observe o leitor que os petistas têm devoção pelo Estado todo-poderoso - do Judiciário (qual, para eles, deve ser a referência positiva: Cuba, Camboja ou Coreia do Norte?). Nesse ritmo, não causará estranheza o PT propor que a Praça dos Três Poderes, em Brasília, tenha somente dois edifícios... Afinal, "aquele" terceiro edifício, mais sóbrio, está criando muitos problemas.
O País aguarda o momento da definição das penas do núcleo político, especialmente do quarteto petista. Será um acerto de contas entre o golpismo e o Estado Democrático de Direito. Para o bem do Brasil, os golpistas mensaleiros perderam. Mais que perderam. Foram condenados. E serão presos.
OPINIÁO..
Permitam-me expressar minha opiniao atraves de um outro texto universal do Livro A REVOLUCAO DOS BICHOS DE George Orwell ``Não havia dúvida agora quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.``

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sobre Passaros e ninhos...


Um Passaro vermelho que havia perdido seu ninho em uma antiga união com um passaro branco/verde se uniu a um passaro amarelo para tentar reconstruir seu lar.
O novo lar se efetivou, mesmo que a contribuição do passaro vermelho tenha sido insignificante, pois o mesmo nao construiu um unico comodo no novo lar.
Agora que o lar estar pronto a pergunta que todos fazem...amarelos e vermelhos:
- Existirá lugar para este passaro-camaleão, que ora esta vermelho, ora esta azul...e por hora está amarelo?
Como será a convivência desses passaros tão antagonicos?

Cortesia...Lá e cá.

Vejo com um certo temor sociológico a guerra entre policiais e parte da população paulista. A reação de grupos armados matando policiais indiscriminadamente mostra que o governo não tem o controle do que os seus homens fardados fazem com a lei durante suas rondas, suas abordagens, principalmente por vielas e ruas escuras da periferia.
A população em geral nao confia na policia. A população da periferia aprendeu a temer a policia. Quantos moradores das periferias brasileiras já nao presenciaram as diversas formas de abuso de poder, excesso de poder, desvio de poder executado por parte dos homens que deveriam defender a lei? Eu já vi morador ser espancando só porque demorou a levantar para ser revistado.
Sou contra a guerra, mas entendo como uma reação aos abusos. Condeno a guerra assim como condeno todo tipo de abuso.
 
Mas enquanto em SP grupos armados atiram na polícia, aqui em nossa cultura papa-chibé a postura é outra.
 
Sabado a noite observei uma cena curiosa se repetindo pelo menos duas vezes. Aconteceu o seguinte:
A viatura para em frente a um bar no Bairro Novo, o proprietário saí e entrega uma coca-cola dois litros e alguns copos para um dos militares. A viatura segue em frente e para no bar ao lado. Desta vez o dono do bar pede a um cliente que vá entregar a coca-cola aos policiais que a recebem e saem. Mesmo sendo mais de uma hora da manhã, mesmo o som estando alto, ninguém desceu da viatura, pediu para abaixar o som ou coisa assim.
 
Aí eu pensei:
- Cortesia é isso aí.

sábado, 10 de novembro de 2012

O PT não é uma quadrilha.


Demétrio Magnoli – O PT não é uma quadrilha


Fernando Haddad está cercado por José Dirceu e Paulo Maluf. Sobre Dirceu, aparece a palavra “condenado”; sobre Maluf, “procurado”. Contaminada pelo desespero, a propaganda eleitoral de José Serra não viola a verdade factual, mas envereda por uma perigosa narrativa política. O candidato tucano está dizendo que eleger o petista equivale a colocar uma quadrilha no comando da Prefeitura paulistana. A substituição da divergência política pela acusação criminal evidencia o estado falimentar da oposição no País e, mais importante, inocula veneno no sistema circulatório de nossa democracia.
Demóstenes Torres foi expulso do DEM antes de qualquer condenação, quando se patenteou que ele operava como despachante de luxo da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. José Dirceu foi aclamado como herói e mártir pela direção do PT depois da decisão da Corte Suprema de uma democracia de condená-lo por corrupção ativa e formação de quadrilha. O mensalão é um tema legítimo de campanha eleitoral e nada há de errado na exposição dos vínculos entre Haddad e Dirceu. A linguagem da política, contudo, não deveria confundir-se com a linguagem da polícia.
Dirceu permanece na alta direção petista, pois é um dos artífices de uma concepção da política que rejeita a separação entre o Estado e o partido. No mensalão, a imbricação Estado/partido assumiu o formato de um conjunto de crimes tipificados. Entretanto, tal imbricação se manifesta sob as formas mais diversas desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto. O código genético do mensalão está impresso no movimento de partidarização da administração pública, das empresas estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos, das políticas sociais e da política externa, conduzido ao longo de uma década de lulismo triunfante. Na linguagem da política, Dirceu figuraria como símbolo da visão de mundo do lulopetismo. Mas a campanha de Serra não é capaz de escapar ao círculo de ferro da linguagem policial.
A Interpol define Paulo Maluf como um foragido da Justiça. Lula e Haddad não se limitaram a firmar um pacto eleitoral com o partido de Maluf, mas peregrinaram até a mansão do fugitivo para desempenhar o papel abjeto de cortejá-lo como liderança política. Faz sentido divulgar, no horário de campanha, as imagens da macabra confraternização. Todavia, uma vez mais, seria indispensável traduzir o evento na linguagem da política, que não é a da Interpol.
Maluf é um caso extremo, mas não um ponto fora da curva. Lula e o PT insuflaram uma segunda vida aos cadáveres políticos de Fernando Collor, Jader Barbalho, José Sarney, Renan Calheiros e tantos outros. As alianças recendem a oportunismo, um vício menor, mas a extensão da prática exige uma explicação de fundo. O paradoxo aparente do encontro entre “esquerda” e “direita” é fruto de um interesse compartilhado: a continuidade da tradição patrimonial de apropriação da “coisa pública” pela elite política. As “estranhas alianças” lulistas funcionam como ferramentas para a repartição do imponente castelo de cargos públicos na administração direta e nas empresas estatais. Até hoje o Brasil não concluiu o processo de criação de uma burocracia pública profissional. Na linguagem da política, a confraternização de Lula e Haddad com Maluf ajudaria a esclarecer os motivos desse fracasso. Mas a propaganda eleitoral de Serra preferiu operar em outro registro.
A campanha do tucano oscila entre os registros administrativo, moral e policial, sem nunca sincronizar o registro político. De certo modo, ela é um reflexo fiel da falência geral da oposição, que jamais conseguiu elaborar uma crítica sistemática ao lulopetismo. Entretanto, nas circunstâncias produzidas pelo julgamento do mensalão, a inclinação oposicionista a apelar para a linguagem policial tem efeitos nefastos de largas implicações. Na democracia, não se acusa um dos principais partidos políticos do País de ser uma quadrilha.
O PT não é igual à sua direção eventual, nem é uma emanação da vontade de Dirceu ou mesmo de Lula. O PT não se confunde com o que dizem seus líderes ou parlamentares em determinada conjuntura, nem mesmo com as resoluções aprovadas nesse ou naquele encontro partidário. Embora tudo isso tenha relevância, o PT é algo maior: uma história e uma representação. A trajetória petista de mais de três décadas inscreve-se no percurso da sociedade brasileira de superação da ditadura militar e de construção de um sistema político democrático. O PT é a representação partidária de uma parcela significativa dos cidadãos brasileiros. A crítica ao partido e às suas concepções políticas não é apenas legítima, mas indispensável. Coisa muito diferente é tentar marcá-lo a fogo como uma coleção de marginais.
O jogo do pluralismo depende do respeito à sua regra de ouro: a presunção de legitimidade de todos os atores envolvidos. Nas democracias, eleições concluem-se pelo clássico telefonema em que o derrotado oferece congratulações ao vencedor. Em 1999, após o terceiro insucesso eleitoral de Lula, o PT violou a regra do jogo ao desfraldar a bandeira do “fora FHC”. Serra ficou longe disso dois anos atrás, mas seu discurso de derrota continha a estranha insinuação de que a vitória de Dilma Rousseff representaria uma ameaça à democracia.
Agora, na eleição paulistana, a propaganda do tucano sugere que um triunfo de Haddad equivaleria à transferência da Prefeitura da cidade para uma quadrilha. Na hipótese de derrota, como será o seu telefonema de domingo à noite?
Marqueteiros designam ataques ao adversário eleitoral pela expressão “propaganda negativa”. O rótulo dos vendedores de sabonete abrange tudo, desde a crítica política fundamentada até as mais sórdidas agressões pessoais. O problema da campanha de Serra não está no uso da “propaganda negativa”, mas na violação da regra do jogo. Não é assim que se faz oposição.
Demétrio Magnoli – do site Estadao
SOCIÓLOGO, DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP.
E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Julgamento do Mensalão: dez conclusões.


Opinião: Essas conclusões foram tiradas pelo resultado da votação que representa o entendimento dos ministros do STF.
A primeira conclusão é alvo de negativas de todos os envolvidos, desde o ex-presidente até alguns de nossos ilustres representantes.
Uma das maiores lideranças do PT e super-ministro do Governo Lula foi julgado, considerado culpado e chefe do esquema corrupto/corruptor.
O Partido que formou-se e por muitos anos vendeu a imagem de baluarte da moralidade publica cometeu o vergonhoso ato de articulação para compra de votos.
Eis o Brasil dos vermelhos hipócritas.

sábado, 3 de novembro de 2012

E o vermelho permanece...vermelho de vergonha.


Depois da Condenacao






Dizem que na politica não existem amizades duradouras e nem inimizades eternas.

Talvez a amizade eterna entre Marcos Valério e os quadrilheiros começou a ruir quando foi estabelecida sua condenação com pena de mais de 40 anos de prisão.

A certeza da prisão do corrupto, coisa rara, fez com que sua língua ficasse mais solta. Ainda não completamente, por enquanto trata-se de ameaças veladas. 

Claro que os quadrilheiros não estão parados vendo o barco afundar. A estrategia agora consiste taxar o STF de um tribunal de excecao.

E a dita delação premiada...a quem beneficiara? Terá ele coragem para dizer tudo o que sabe? 


100 dias, 100 Nada.

O prefeito de Santa Izabel do Pará, Evandro Watanabe (DEM), completou recentemente cem dias à frente da administração municipal.  ...